20080714

Este País não é para velhos

Pois é... depois de muita reflexão sobre o caminho a tomar reflectindo-se numa longa pausa na curta vida deste blog; estou de volta... com as minhas reflexões.. opiniões.. curiosidades... coisas....

porque de coisas é feita a vida e é a elas que devemos dar valor atribuindo-lhes o significado próprio que tiveram ou tem na nossa vida.


Mas não é disto que hoje queria escrever. De facto, esclareço já que o blog não é para ser entendido numa sequência lógica... para tal escreveria um livro ( mas não terei vontade.. nem capacidade.... )

Neste sentido, cada texto é um texto solto... um pensamento desligado dos outros onde de comum tem apenas a minha pessoa ( incógnita para uns... conhecida para outros) e o facto de serem partilhados á segunda-feira....

como se dizia no meu tempo de adolescente.... "Não percam o próximo episódio porque nós.. também não"
(bons velhos tempos do secundário com o Dragon Ball)


Hoje queria escrever sobre uma minha última reflexão iniciada quando me senti insultado na minha última visita a Serralves...
A arte.. o que é arte?!...
mas temo não estar ainda preparado para tal e ficará para depois pois recentemente enviaram-me um e-mail com bons dados para provocar ainda mais a minha reflexão..
Portanto.. de que se poderia escrever.... Pois...
hoje exponho a minha posição sobre o estado da Nação... este Magnífico Portugal.
ESTE PAÍS ESTÁ EM CRISE!...
E fala-se tanto da crise.. contudo, ainda nos passados dias se viu uma corrida, como quem puxa cabelos para não chegar em último e assim chegar ao momento de libertar a carteira de alguns trocos em troca de um topo de gama da família Telemóvel... e pergunto-me.. como é possível?
ou apenas estamos de tanga porque o calor espreita alguns dos dias? Pois a meu ver .. até ai estamos em crise e apenas temos prestações de calor.
Mas, tal como já suspeitava a crise é uma farsa e assim o diz Rui Reininho numa curta entrevista ao JN ( 13 Julho 2008); isto porque o dinheiro existe.. existiu e existirá... pois não desapareceu ou evaporou.. pelo menos na carteira de alguns... ( os mesmos que suponho já não usarem carteira pois tal é a quantidade que provavelmente terão de andar com malas quando se deslocam com a vaga ideia de comprar algo.
Isto porque ninguém viu as grandes empresas e qualquer outro empresário desistirem dos seus luxos!
Ora caríssimos... a crise vive na sociedade que esqueceu os valores... e não se liga a quem realmente tem de apertar o cinto... (isto se ainda servir a algo e não o tiver trocado por uns suspensórios! )

Mas é assim.. pago eu as minhas contas... os impostos para dar boas pensões a quem teve cargos .. ainda que temporários na função pública. Isto só me leva a crer que este país é para velhos... para os aposentados porque os novos trabalham.. fogem ou já fugiram do país ( que de resto é uma solução cada vez mais a ponderar) ...
Contudo não é para todos os velhos.... é para alguns... para as raposas... os matreiros que ainda que com 40 ou 50 anos se dizem velhos e querem pensões ao mesmo tempo que auferem outros salários!
e assim se diz... vivam as raposas....
Porque enquanto noutros países se organizam batidas para dar caça às raposas; cá... com tanto deputado caçador, só não percebo porque ainda não abriu caça a esta espécie.. sempre camuflada mas que caminha ao nosso lado!

este pais é para velhas raposas

hoje foi mais um rápido suspirar porque o tempo urge

20080205

EU e o tempo certo

EU
Eu sou a que no mundo anda perdida,
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver
e que nunca na vida me encontrou.

Florbela Espanca

__________________________________


luto constantemente e cada vez mais de forma acerrada com o prazo...
fará sentido a existência do prazo?...
implicando este o finalizar de uma tarefa, o inicio de uma outra etapa... questiono-me agora sobre o quanto perderá uma sociedade que não amadurece e degosta a vida e aquilo que nela faz ...
neste sentido.. qual o valor do limite temporal..
temo que seja castrador

__________________________________

"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substiui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso."

Charles Chaplin

20080121

Metamorfose

Pois é…
Supostamente sai ás Segundas… ou.. direi que deveria certamente… contudo a vida soma em nós diversas experiências; as quais nos tentam para que surja a falha…
De facto, traído pela agenda, viu-se o blog em lacuna precisamente na sua segunda Segunda-feira.
Será este um vazio de assunto.. Questionam-se…
Será esta uma antevisão da falta de sentido de existência do próprio blog..
O tempo o dirá.. contudo.. não será por falta de assunto que ele possa perder sentido em existir.

Vive em mim o reencontro.. a procura da razão e com ela a constante metamorfose da vida…
Amadurece-se
.. deixo desta vez um poema.. sem grande reflexão pessoal mas contudo ajudará a situar o blog nos demais.
F


METAMORFOSE - de Jorge de Sena
“Ao pé dos cardos sobre a areia fina
que o vento a pouco e pouco amontoara
contra o seu corpo (mal se distinguia
tal como as plantas entre a areia arfando)
um deus dormia. Há quanto tempo? Há quanto?
E um deus ou deusa? Quantos sois e chuvas,
quantos luares nas águas ou nas nuvens,
tisnado haviam essa pele tão lisa
em que a penugem tinha areia esparsa?
Negros cabelos se espalhavam onde
Nos braços recruzados se escondia o rosto.
E os olhos? Abertos ou fechados? Verdes ou castanhos
no breve espaço em que o seu bafo ardia?
Mal respirava? Ou só uma luz difusa
se demorava no seu dorso ondeante
que de tão nu e antigo se vestia
Da confinada ausência em que dormia?
Mas dormia? As pernas estendidas,
com um pé sobre outro pé e os calcanhares
um pouco soerguidos na lembrança de asas;
as nádegas suaves, as espáduas curvas
e na tão leve sombra das axilas
adivinhados pêlos… Deus ou deusa?
Há quanto tempo ali dormia? Há quanto?
Ou não dormia? Ou não estaria ali?
Ao pé dos cardos, junto à solidão
quase lhe tocava do areal imenso,
do imenso mundo, e as águas sussurrando –
- ou não estaria ali?... e um Deus ou Deusa?
Imagem, só lembrança, aspiração?
De perto ou longe não se distinguia.”

20080107

200701

“Era uma vez um pintor que tinha um aquário e, dentro do aquário, um peixe encarnado. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor encarnada, quando a certa altura começou a tornar-se negro a partir – digamos – de dentro. Era um nó negro por detrás da cor vermelha e que, insidioso, se desenvolvia para fora, alastrando-se e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário, o pintor assistia surpreendido à chegada do novo peixe.
O problema do artista era este: obrigado a interromper o quadro que pintava e onde estava a aparecer o vermelho do seu peixe, não sabia agora o que fazer da cor preta que o peixe lhe ensinava. Assim, os elementos do problema constituíam-se na própria observação dos factos e punham-se por uma ordem, a saber: 1.º – peixe, cor vermelha, pintor, em que a cor vermelha era o nexo estabelecido entre o peixe e o quadro, através do pintor; 2.º – peixe, cor preta, pintor, em que a cor preta formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar acerca das razões por que o peixe mudara de cor precisamente na hora em que o pintor assentava a sua fidelidade, ele pensou que, lá de dentro do aquário, o peixe, realizando o seu número de prestidigitação, pretendia fazer notar que existia apenas uma lei que abrange tanto o mundo das coisas como o mundo da imaginação. Essa lei seria a metamorfose. Compreendida a nova espécie de fidelidade, o artista pintou na sua tela um peixe amarelo.”
Autor a revelar posteriormente


Que escrever num princípio…
Sempre encontrei em mim uma enorme dificuldade na tarefa de preencher o vazio com palavras; isto em detrimento do gesto.

Decidi portanto começar com um texto que me fora apresentado de forma lida há alguns anos. Fica portanto uma homenagem em memória do que o texto possa significar.
F